Aço está presente na estrutura de pontes e pórticos rolantes

Perfis metálicos compõem estruturas principais dos equipamentos e dão sustentação aos elementos de movimentação de cargas usados na indústria e nos canteiros de obras

Os pórticos e as pontes rolantes permitem o transporte rápido, eficiente e seguro de cargas dentro de qualquer processo produtivo. Em geral, eles são usados para a movimentação de cargas suspensas em áreas industriais ou em canteiros de obras, sem interferências no layout da linha de produção, pois caminham sobre as colunas do edifício (no caso das pontes rolantes) ou em vias de rolamento nos limites laterais de cada lado de um galpão.

A principal vantagem na utilização desses equipamentos é a confiabilidade e o baixo custo com a operação e a manutenção. Em contrapartida, eles são projetados para uma aplicação específica, o que pode inviabilizar sua reutilização em futuros projetos.
A capacidade de carga e de vãos desses equipamentos varia, partindo de 500 quilogramas e vão de 2 metros, até os grandes pórticos usados em estaleiros, cuja capacidade de carga pode ser superior a 2 mil toneladas e vão de 150 metros.

PONTES OU PÓRTICOS?

As pontes rolantes são montadas nos galpões, utilizando as colunas do espaço como suporte para as vigas de rolamento, onde são montados os trilhos. Já os pórticos podem ser montados tanto no piso externo quanto no interno de galpões, pois possuem ‘pernas’ para a sustentação da viga, onde é montado o mecanismo de elevação.

Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), explica que a utilização de uma ou outra solução depende de vários fatores e requer estudo. Por exemplo, para galpão já existente, o pórtico é mais adequado, pois as colunas básicas de um galpão não são projetadas para suportar os esforços de uma ponte rolante. Ele também é mais indicado quando a movimentação das cargas é feita tanto em áreas internas quanto externas. Já as pontes rolantes são recomendadas quando se deseja interferência mínima no piso.

TIPOLOGIAS

No mercado brasileiro, é possível encontrar diversas tipologias de pontes e pórticos rolantes. O tipo univiga, também conhecido como monobloco, é o mais usual. Normalmente utilizados para movimentação de cargas menores, com até 15 toneladas, é composto de uma única viga de aço (geralmente do tipo caixão). Seu mecanismo de elevação é montado na parte inferior da viga, que caminha de forma suspensa pelas abas desse elemento. Já no modelo dupla viga, o mecanismo de elevação é montado na parte superior, e o gancho se movimenta entre as duas vigas. Esse equipamento é fabricado com duas vigas principais de aço. Esse reforço permite que o equipamento trabalhe com cargas acima de 15 toneladas.

Os equipamentos univiga e dupla viga podem ser pórticos convencionais, ou seja, que se apoia em duas pernas iguais. No modelo semipórtico, misto de ponte com pórtico rolante, uma das extremidades da viga metálica se apoia na estrutura, e a outra, em uma perna, no nível do chão. Há ainda o pórtico com off-set. Nele, a viga de carga ultrapassa lateralmente os limites das pernas, ou seja, uma parte da viga fica em balanço. Essa característica permite a movimentação de cargas localizadas nas laterais externas das pernas. Ele é usado normalmente em áreas externas e em pátios de pré-moldados.

ESTRUTURA DE AÇO

Tanto as pontes como os pórticos disponíveis no mercado brasileiro são estruturados a partir de vigas, pernas, travessas, cabeceiras e estruturas da talha, todos em perfis de aço. “O aço está presente em todas as estruturas principais dos pórticos, dando toda a sustentação e suportando as cargas, que variam de acordo com a capacidade de cada máquina”, explica o engenheiro Marcelo Fernandes, supervisor técnico de vendas da GH do Brasil.

Fernandes lembra que as estruturas principais dessas máquinas são as vigas, que em geral são constituídas de perfis do tipo caixão com chapas de aço ASTM A36. Já as pernas dos pórticos ou semipórticos são construídas com tubos de aço ou vigas do tipo ASTM A36. “Pontes rolantes com capacidade menor (até 3,2 toneladas e vão com até 12 m) geralmente são fabricadas com perfis I do tipo ASTM A36, facilmente encontrados no mercado”, completa.

DIMENSIONAMENTO

Segundo Adilson Volani, gerente comercial da CSM Máquinas e Equipamentos para a Construção, todos os equipamentos são fabricados atendendo à demanda do cliente. No entanto, existem vários fatores a serem observados na hora de projetar e especificar. Dentre eles, destacam-se a capacidade de carga, o tamanho do vão (distância entre trilhos), a altura de elevação necessária, o tipo de serviço que será executado, a frequência de utilização e o layout da movimentação. A incidência de umidade, a temperatura e a existência de elementos como gases ou vapores, que podem agredir os mecanismos ou a pintura da estrutura metálica também devem ser analisados previamente.

Cabe ao especialista em movimentação de carga orientar a escolha do modelo do equipamento. O projeto de movimentação de carga deve ser iniciado juntamente com o projeto do edifício, no caso do uso na construção civil. “Prever a estrutura do prédio que receberá o pórtico ou a ponte rolante poupará muito dinheiro e evitará problemas futuros ao contratante”, alerta Fernandes.

ESCOLHA DA ESTRUTURA

Segundo a NBR nº 8.400 – Cálculo de Equipamento para Levantamento e Movimentação de Cargas –, a escolha do tipo de estrutura do equipamento deve considerar a utilização (tempo de uso em função da quantidade de ciclos e manobras realizadas por dia) e o estado de carga e tensões (a intensidade com que o equipamento levanta a carga máxima ou reduzida ao longo da sua vida útil).

Auler Neto observa que a norma apresenta tabelas com categorias de mecanismo de carga e estruturas. “Basta buscar o melhor enquadramento da operação escolhendo uma situação de uso”, indica. Esse enquadramento é o que definirá as características da estrutura e de seus elementos metálicos, definindo o tipo de aço, a espessura, o tipo de solda e os elementos de reforço.

O executivo alerta, no entanto, que o contratante deve ficar atento, sobretudo em processos em que há concorrência. “Alguns fabricantes oferecem equipamentos com características inadequadas a um preço mais baixo, e o usuário, por desconhecimento das normas e da aplicação real do equipamento, acaba escolhendo o equipamento errado, motivado pelo menor custo”.

Fonte: AECWeb

Paulo Oscar Auler Neto – vice-presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).
Marcelo Fernandes – supervisor técnico de vendas da GH do Brasil.
Adilson Volani – gerente comercial da CSM Máquinas e Equipamentos.

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